Como tirar fotos planetárias sem possuir motorização?

Nesta postagem, falarei um pouco da possibilidade de astrofotografia planetária sem o auxílio da motorização, seja no mak90mm com EQ1 ou em outra montagem, como a dobsoniana ou AZ (sem motorização).

Para ler mais sobre montagens, recomendo este artigo:
https://unidospelaastronomia.wordpress.com/2015/05/01/montagem-eq1-tripe-montagem-eq1-motorizacao-x-maksutov-cassegrain-90mm/

Geralmente a motorização, mesmo quando o telescópio não é alinhado com muita precisão, permite ao menos alguns segundos, ou minutos, de acompanhamento do planeta dentro da área da nossa tela, ou seja, mesmo que ele não fique centralizado na tela, já ajuda muito no momento da captura.

Entretanto, quando não possuímos motorização, ou uma montagem AZ/DOB sem motorização, o planeta meio que passa “correndo” em nossa tela, o que possibilita gravar pouco tempo de vídeo, ou em outras palavras, poucos frames.

Observação!!: mais uma vez não entraremos em detalhes mais técnicos, como qualidade da câmera, filtros, processador, etc. Vou simplificar o assunto, relatando apenas os dados mais práticos. Para os que buscavam grandes detalhes técnicos, me perdoem.

E quanto mais frames capturamos, mais atenuamos as falhas da captura, como um seeing ruim, uma passagem de nuvem, etc, e ampliamos os detalhes, uma vez que teremos não somente uma foto (um frame), mas 500 fotos (500 frames) sobrepostos, o que melhora bastante a qualidade da imagem.

comp-lua-frame-unico-e-varios-frames
Foto da Lua. Foto à esquerda foi tirada em frame único em uma câmera DSLR, já a da esquerda, foram feitos 300 frames (filmados e empilhados).

 

Por esta razão percebemos uma enorme diferença entre uma imagem vista pela ocular e outra vista após o processamento destas diversas fotos. Isso também explica, a grosso modo, como podemos utilizar aumentos maiores do que o recomendado, por exemplo, eu utilizo uma câmera planetária expanse, que no mak90mm seria o equivalente (mais ou menos) a uma ocular de 5mm, o que já me daria 250x de ampliação (distância focal de 1250/ocular de 5mm), que teoricamente já passa dos 180x recomendado pelo fabricante…achou muito? Pois eu ainda utilizo uma barlow 2x no conjunto, o que dá um total de 500x de ampliação, passando bastante do limite citado, e mesmo assim, consigo boas imagens.

Existem outras razões que permitem isso, mas se limitando à explicação anterior, o número de frames sobrepostos terminam por corrigir problemas decorrentes desta enorme ampliação, se você tentar usar a ocular 10mm do kit, com a barlow 2x, em saturno por exemplo, até poderá ver alguns detalhes a mais, em uma noite transparente e de bom seeing, mas a imagem será bem mais sofrível, o que nem sempre compensa. Quando efetuamos diversos frames, as imperfeições são “descartadas” e os detalhes realçados, como citado anteriormente, ou seja, quantos mais frames fazemos, mais chances de obtermos uma melhor foto. Digo mais “chances”, pois, nem sempre as capturas podem ser aproveitadas, pois durante o processamento percebemos que ou ficou tremida, ou com muito ruído, etc, por isso sempre recomendo gravar vários vídeos durante a noite, para que se aproveite alguns (risos).

Em uma postagem futura, posso falar um pouco da minha experiência com capturas, e dar algumas dicas.

Bom, esclarecido que quantos mais frames temos, maior as chances de uma boa fotografia, aí surge o problema: como capturar muitos frames se não possuo motorização, e o planeta mais passa na minha tela como um foguete do que um planeta? A ajuda neste caso pode vir do recurso “Pausa”.

Eu utilizo o software de captura SharpCap, e o mesmo possui um botão de “pausa” ao lado do botão de captura e de “stop”, para câmeras ASI, com os drivers originais, o recurso é habilitado, já com o driver desenvolvido para a câmera Expanse (do Armazém), o recurso fica desabilitado.

O SharpCap pode ser baixado aqui: http://www.sharpcap.co.uk/sharpcap/downloads

Existe um outro software de captura chamado Firecapture, que não utilizo, mas dei uma olhada outro dia, e pelos relatos, ele parece ser um bom software, e possui alguns recursos interessantes que não vi no sharpcap, como a possibilidade de centralização do objeto, em tempo real. O driver da expanse parece não funcionar com ele, mas o driver alternativo que citei, sim.

Isso gerou alguns debates em grupos, e a conclusão que chegamos foi o seguinte: se o sensor da Expanse é o mesmo da ASI, existe uma possibilidade do processador dela aceitar algum driver do fabricante ASI, daí efetuamos uns testes e encontramos um que pode ser instalado, e que habilita o recurso.

Nosso Mak90mm sem motor.
Nosso Mak90mm sem motor.

Existe um tutorial do Armazém, que explica como instalar a câmera, entretanto, utilize o driver que irei repassar mais adiante.

O tutorial de instalação é esse:
http://armazemdotelescopio.com.br/loja/index.php/component/content/article/23-raiz/conteudo/conteudo-astronomia/conteudo-astronomia-astrofotografia/260-guia-de-instalacao-da-camera-expanse-120-color-mono

O driver que você pode baixar é o da ASI120MC, neste link:
http://www.zwoptical.com/software/ASI120MC_Setup.exe

Basta executar e avançar até a conclusão.

Ao abrir o SharpCap, a câmera vai aparecer como uma ASI, vai modificar um pouco as opções laterais no SharpCap, mas vai funcionar normalmente (as opções são as mesmas, só muda a “carinha”).

Observe que o botão de pausa agora pode ser clicado (não está mais cinza/desabilitado), e quando clicamos nele, um retângulo azulzinho surge em sua volta, indicando que a pausa está ativa, e ao clicar de novo para tirar a pausa, o retângulo azulzinho some, indicando que a gravação voltou a ocorrer. Algumas observações devem ser colocadas:

– ao clicar na pausa, não espere que o planeta/objeto congele, ele vai continuar “correndo” normalmente, só que não estará sendo registrado;
– quando estiver em pausa, você pode movimentar a montagem e voltar para o “canto” da tela, e tirar a pausa, assim ele volta a gravar do ponto em que você deixou o planeta, e assim, pode repetir esse processo até conseguir um número de frames bom;
– outro detalhes: durante a pausa, o tempo e outras informações, continuam correndo, mas não estão sendo registradas (preciso ainda ver com mais calma se tem como modificar isso, para que a contagem pare junto com a pausa, pois se você observar, o número de frames total lá, não é o mesmo da gravação).

Desta forma, é possível efetuar boas capturas mesmo sem possuir a motorização…dá trabalho? dá um pouco, mas nada do outro mundo.

Aproveitei e testei essa técnica mesmo utilizando a motorização, e fica legal, pois mesmo com um alinhamento horrível, que não me dá 1min, consigo aumentar o número de frames capturados, ou seja, faço 1min, pauso, mais 1min e pauso, até achar que foi suficiente. Em um alinhamento melhor, consigo que o planeta corra na minha tela por uns 4min (em 640×480), aí não preciso da pausa.

Lembrando que o planeta Saturno comporta um tempo de captura bem mais alto do que Júpiter, por exemplo, dada a rotação dos mesmos.

É isto, céus limpos e boas capturas…espero os resultados na nossa página do facebook, para compartilhar, de preferência com um breve relato da experiência em sua captura.

Até mais.

Edinaldo Oliveira

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