O que é a poluição luminosa? E porque ela é tão ruim para a astronomia?

Olá,

Hoje vamos falar sobre um assunto que atrapalha bastante os astrônomos (amadores ou não), independente do equipamento utilizado, a poluição luminosa é um grande vilão dos astrônomos e astrofotógrafos. Mas o que seria essa poluição luminosa (PL), e como ela pode nos atrapalhar tanto?

Você reconhece as cidades abaixo? Estão totalmente livres da poluição luminosa:

Em cima, imagem de como seria a noite no Rio de Janeiro se todas as luzes fossem desligadas. Na imagem de baixo, o mesmo para São Paulo. Créditos: Thierry Cohen.
Em cima, imagem de como seria a noite no Rio de Janeiro se todas as luzes fossem desligadas. Na imagem de baixo, o mesmo para São Paulo. Créditos: Thierry Cohen.

Pois é…que diferença! Para conhecer mais sobre esse trabalho, acesse a página sobre a série intitulada “Darkened Cities” (Cidades escurecidas): http://thierrycohen.com/index.html

Lembram da foto do Rio de Janeiro logo acima? Veja como ela se apresenta na realidade:

A bela imagem da Enseada de Botafogo acima é um exemplo de poluição luminosa. Ela foi capturada por Marco Antônio Teixeira na noite de 28 de março de 2009, quando deveria ter ocorrido a “Hora do Planeta” e as luzes deveriam ter sido apagadas. Esse apagão não tinha por objetivo apenas a economia de energia, já que o excesso de iluminação em si também tem causado sérios problemas ao ambiente.
A bela imagem da Enseada de Botafogo acima é um exemplo de poluição luminosa. Ela foi capturada por Marco Antônio Teixeira na noite de 28 de março de 2009, quando deveria ter ocorrido a “Hora do Planeta” e as luzes deveriam ter sido apagadas. Esse apagão não tinha por objetivo apenas a economia de energia, já que o excesso de iluminação em si também tem causado sérios problemas ao ambiente.

Ainda que o termo não lhe seja familiar, você certamente sente alguns dos efeitos deste tipo de poluição:

  • Já percebeu o brilho alaranjado sobre as cidades?
  • Já teve dificuldades para dormir por causa da luz que entra pela janela?
  • Já perdeu a visibilidade na estrada por causa dos faróis altos em sentido contrário?
  • Você enxerga poucas estrelas no céu da sua cidade?
  • Não consegue identificar a Via Láctea no céu?

De forma mais conceitual, “a poluição luminosa é o excesso de luz artificial emitida pelos grandes centros urbanos. Pode ser emitida em diversas formas, como por exemplo, por luzes externas, anúncios publicitários e, principalmente, pela iluminação pública. O impacto da poluição luminosa começou a ser mais conhecido com a pressão de astrônomos amadores dos Estados Unidos na década de 1980. Eles reclamavam da perda de visibilidade quando tentavam observar estrelas. Além disso, a poluição luminosa tem outras consequências, afetando nossa saúde e os ecossistemas, tornando-se um grande prejuízo para todos os cidadãos.”  (Fontes: Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA)International Dark Sky Association (IDA))

Existem três tipos de poluição luminosa:

Brilho do céu (sky glow): é o aspecto alaranjado do céu, causado pelas luzes indevidamente direcionadas para o alto:

Exemplo da poluição chamada de glare. Imagem de www.need-less.org.uk.
Exemplo da poluição chamada de glare. Imagem de http://www.need-less.org.uk.

Ofuscamento (glare): luz excessiva e direta nos olhos, causando cegueira momentânea.

Exemplo de ofuscamento (www.nightwise.org).
Exemplo de ofuscamento (www.nightwise.org).

Luz intrusa (light trespass): é a iluminação de um ambiente que invade o domínio do outro.

Exemplo de trespass, ou luz intrusa (imagem: IDA).
Exemplo de trespass, ou luz intrusa (imagem: IDA).

Consequências da Poluição Luminosa

A quantidade de estrelas que se conseguem observar nas cidades, devido à poluição luminosa, é infinitamente menor quando comparado com o céu das zonas mais rurais, ficando assim os moradores das cidades quase que totalmente privados de apreciar a beleza do céu noturno, uma visão que as nossas gerações passadas contemplaram sem maiores dificuldades, porém, cada vez mais rara.

Escala de Bortle - Diferença entre o céu da cidade e um céu sem poluição luminosa
Escala de Bortle – Diferença entre o céu da cidade e um céu sem poluição luminosa

Sobre a escala de Bortle, sugiro a leitura deste artigo: https://tellescopio.com.br/poluicao-luminosa-astronomia-escala-bortle-para-ceu-escuro

Assim, para conseguirmos ver (ou fotografar) um céu minimamente estrelado, devemos nos afastar de centros urbanos, onde as luzes terminam por ofuscar o céu.

Imagem do portal Meu Planetinha: http://planetasustentavel.abril.com.br/planetinha/index.shtml
Imagem do portal Meu Planetinha: http://planetasustentavel.abril.com.br/planetinha/index.shtml

Existe um simulador bem interessante, nele podemos adicionar postes, com vários tipos de iluminação, e observar as implicações desta iluminação em nosso céu, muito interessante. Acesse aqui (em inglês): http://www.britastro.org/dark-skies/simulator.html ou clique logo aqui.

Veja apenas uma comparação, extraída do simulador:

simulacao1

simulacao2

simulacao3

 

Como minimizar o problema?

Podemos tentar minimizar o problema da poluição luminosa com algumas providências:

  • Adquirir equipamento portátil, ou seja, que se possam transportar com facilidade para zonas mais escuras (por exemplo, meu Maksutov Cassegrain 90mm possui alta portabilidade);
  • Utilizar filtros especiais de redução da poluição luminosa (exemplo abaixo);
Filtro anti-poluição luminosa ou filtros LPR (do inglês Light Polution Filter)
Filtro anti-poluição luminosa ou filtros LPR (do inglês Light Polution Filter)
  • Antes de iniciar a observação, adaptar bem os olhos à escuridão (esperando pelo menos 10 minutos no escuro, e com cerca de 30 minutos você perceberá bem mais objetos no céu);
  • Dependendo da sua região, quanto mais tarde fizer as observações (a partir das 2h, por exemplo) a agitação atmosférica é menor, assim como o trânsito nas ruas, casas com luz ligadas, etc.

Por último deixo um vídeo resumindo tudo que foi debatido aqui:

Até a próxima,

Edinaldo Oliveira

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2 opiniões sobre “O que é a poluição luminosa? E porque ela é tão ruim para a astronomia?”

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