A verdade sobre o misterioso lado “oculto” da nossa lua.

Olá,

Hoje falaremos de assunto que sempre gera polêmica: os mistérios que rodeiam a face “oculta” da nossa lua. Sim! deveríamos utilizar os termos “oculto” ou “distante” para designar o lado da lua que não conseguimos ver, termos estes menos enigmáticos na verdade, porém corretos, como veremos mais adiante.

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Essa história de “lado escuro” é algo que caiu no imaginário da grande maioria das pessoas, e de tempos em tempos observamos um reforço deste termo tão atraente, mas errado,  como no filme 2001: A Space Odyssey — 2001: Uma Odisseia no Espaço (e veja o ano…1968), um monólito é encontrado enterrado no lado oculto da Lua, alguns anos depois com a música “Dark Side of the Moon” — lado escuro da Lua, do Pink Floyd (em 1973) ou de filmes mais recentes, como Transformers: Dark of the Moon — Transformers: O Lado Oculto da Lua (2011), onde alienígenas estariam hibernando por lá. Fazendo buscas sobre o lado escuro da lua, vão surgir diversos sites falando sobre bases secretas do governo (ou de alienígenas), que a NASA esconde fotos de lá, etc, etc, etc.

Na verdade, não existe nada de sombrio ou misterioso no “lado escuro” da Lua. Diversas naves tripuladas e não tripuladas – inclusive as famosas missões Apollo e seus astronautas americanos – fotografaram e filmaram essa região do nosso satélite natural.  Inclusive lá não é escuro, assim como aqui na Terra, a Lua gira em torno de seu próprio eixo (movimento de rotação), ou seja, tem um ciclo de dia e noite como aqui na Terra. Mas então, porque vemos sempre a mesma face da Lua?

Primeiramente entenda (ou relembre lá do 1º grau) alguns conceitos básicos:

  1. ROTAÇÃO: É o giro que a Lua dá em torno de seu próprio eixo. Nosso satélite natural precisa de exatamente 27 dias, 7 horas, 43 minutos e 11 segundos para concluir esse movimento (mesmo tempo necessário para dar uma volta completa em torno da Terra).
  2. TRANSLAÇÃO: Movimento que a Lua faz ao redor da Terra. Como o tempo gasto para dar uma volta completa no planeta é o mesmo que o satélite leva para girar em torno de si mesmo, ele acaba ficando sempre com a mesma face voltada para a nossa direção.
  3. SINCRONIA: Rotação e translação demoram o mesmo tempo para ser completadas porque, ao longo de bilhões de anos, a interação gravitacional entre a Lua e a Terra forçou essa sincronização. É o que os astrônomos chamam de acoplamento de maré.

Vejam dois vídeos explicando o fenômeno:

Assim, podemos perceber nas explicações acima, que o fenômeno não passa de uma mera sincronização do movimento de rotação/translação da Lua e da Terra, bem simples, não acha?

O lado oculto da Lua foi pela primeira vez observado em 1959, através da sonda espacial russa Luna 3 (ou seja, não só a NASA detém fotos de lá, assim, esqueça o lance de que a NASA tá escondendo informações, ok?), após isto, outras missões fotografaram mais vezes este lado oculto da lua, como em 1968 (lembra lá da música do Pink Floyd?), onde os astronautas da Apollo 8 foram os primeiros humanos a observar diretamente o lado oculto da Lua, quando estavam em orbita ao redor do nosso satélite natural.

Primeira fotografia do lado oculto da Lua, tirada pela nava Luna 3.
Primeira fotografia do lado oculto da Lua, tirada pela nava Luna 3.

Dados sobre a primeira fotografia do lado oculto da Lua, feita pela nave Luna 3, podem ser vistos aqui: http://nssdc.gsfc.nasa.gov/imgcat/html/object_page/lu3_1.html

Mais fotos desta mesma missão, podem ser vistas aqui: http://nssdc.gsfc.nasa.gov/imgcat/html/mission_page/EM_Luna_3_page1.html

Selo soviético em comemoração a primeira fotografia do lado oculto da Lua
Selo soviético em comemoração a primeira fotografia do lado oculto da Lua

Apollo 8 – Mans First Voyage to Orbit the Moon – Trans-Lunar Orbit & Injection Testing 1968

A superfície do lado oculto da Lua é dominado por inúmeras crateras e por poucos “mares lunares” (aquelas regiões mais escuras da superfície da Lua e que apresentam poucas crateras, que parecem “manchas” escuras) regiões estas bem mais comuns na face em que podemos observar daqui da terra, por qual razão?? Ainda não sabemos (uma teoria fala sobre a diferença de temperatura na formação, pois […- em português de Portugal-…]”a Lua, sendo bem mais pequena que a Terra, arrefeceu mais rapidamente. Dado que a Terra e a Lua estão gravitacionalmente acopladas desde a sua formação, a ainda quente Terra – mais de 2500 graus Celsius – propagou calor na direcção do lado visível. O lado oculto, longe da Terra em ebulição, arrefeceu lentamente, enquanto o lado virado para o nosso planeta foi mantido derretido criando um gradiente de temperatura entre as duas faces.“[…] – Fonte: CCVALG

Veja uma composição de uma rotação completa da lua:

Quer entender mais sobre a nossa Lua, veja este artigo: http://www.astronomiasingular.com/2013/01/lua.html e este http://www.ccvalg.pt/astronomia/noticias/2014/06/13_mares_lua.htm

Bilhões de anos de erosão e movimentos tectônicos eliminaram as grandes crateras antigas na Terra… Na Lua, em contrapartida, podemos ver as marcas os bombardeamentos, nestas imagens de vários ângulos capturadas pela sonda robótica LROC. Ao girar nota-se a radical diferença entre as faces visível e oculta da Lua – a ausência de mares. Crédito: NASA
Bilhões de anos de erosão e movimentos tectônicos eliminaram as grandes crateras antigas na Terra… Na Lua, em contrapartida, podemos ver as marcas os bombardeamentos, nestas imagens de vários ângulos capturadas pela sonda robótica LROC. Ao girar nota-se a radical diferença entre as faces visível e oculta da Lua – a ausência de mares. Crédito: NASA

Recentemente a NASA publicou um pequeno “vídeo” com o lado oculto da lua e nosso planeta Terra “ao fundo”:

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As fotos foram capturadas no dia 16 de julho pelo Observatório do Clima Espacial (DSCOVR) com uma câmera EPIC de 4 megapixels e um telescópio orbitando a mais de 1,5 milhão de quilômetros da Terra. A Lua é vista “cruzando” o oceano Pacífico, próxima à América do Norte.

É isto, espero ter contribuído um pouco na desmistificação de nosso satélite natural.

Até a próxima,

Edinaldo Oliveira

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