Foco no infinito e ISO, as vezes é um problema.

Olá,

A postagem de hoje é um pouco da experiência ruim que passei na última aventura fotográfica noturna. Tive a oportunidade de visitar um local praticamente livre de poluição luminosa e sem nuvens, um céu extremamente limpo, onde era possível ver praticamente de tudo que há no céu noturno, uma beleza!

Quer saber mais sobre poluição luminosa? Leia o artigo: O que é a poluição luminosa? E porque ela é tão ruim para a astronomia?

Tudo bem! Exagerei um pouco na dificuldade na fotografia de campo rsrsrsrs
Tudo bem! Exagerei um pouco na dificuldade na fotografia de campo rsrsrsrs

Quase sempre utilizo minha Nikon D3200, que na verdade é uma DSLR de “entrada” da Nikon, e que não é lá essas coisas…e para “piorar”, utilizo a lente do kit (uma 18-55mm, motorizada), que termina criando alguns problemas que até eu percebo.

Porém, pela falta de planejamento (na verdade até tinha feito um, mas o cronograma não deu certo), terminei por iniciar as astrofotografias já tarde da noite (por volta de 22h, isso depois de ter acordado de 4h30min, viajado algumas horas e caminhado outras várias em serras), daí o cansaço me permitiu relaxar, e relevei alguns pontos importantes para verificar como estavam as fotos que eu ia tirando.

Para começar, ela não possui uma função extremamente útil: um botão para habilitar o foco no infinito! Ora, mas para que isto? Simples: se quiser registrar um céu bem definido, deve-se focar em um ponto mais distante possível (ou no infinito), para que os astros saiam com uma boa definição (especialmente de céu profundo, como nebulosas e estrelas).

Aí que volta o problema: como a lente 18-55mm não possui o recurso de habilitar o foco no infinito, tenho que fazer isso manualmente. Como faço isso? Geralmente procuro luzes de postes ou casas extremamente longes, deixo a máquina em modo manual, coloco na distância focal desejada, digamos 18mm, e vou ajustando “na mão” o foco, até a luz do poste ficar bem brilhante e definida. Daí pode me perguntar: porque não mira em uma estrela para focalizar? E minha resposta: tente isto com uma lente que não possui uma razão focal tão baixa…é difícil até de enxergar a estrela.

Tudo bem, digamos que consegui foco, só que, geralmente a máquina fica apoiada no chão, com um mini tripé, o que significa ter que me arrastar pelo chão para fazer a composição, aí surge outro problema: a lente do kit não fica “firme” onde dei o foco, ela meio que “samba” o focalizador e por vezes perde o foco, no simples ato de encaixar ela no tripé, e isso é um saco! Daí, sempre tiro uma foto de dou zoom, para avaliar se as estrelas mais distantes estão focadas, as vezes dou sorte e vai de primeira, as vezes tenho que tirar umas 10 fotos antes de acertar.

Pode parecer uma conferência simples, mas não é! Imagine você no meio do mato, de noite, as vezes frio, e tendo que conferir a foto em um visor nada fiel à qualidade da imagem…é um pouco difícil.

O “filé” seria uma lente pura, 10mm, manual e com a opção de ajuste do foco no infinito, mas, uma lente desta, é mais cara que o corpo de uma Nikon D3200…aí é dureza! 😦

Um outro problema desta câmera, por possuir uma baixa qualidade na captura, é o fácil ruído na fotografia: as vezes no ISO 400 ela já começa a reclamar, ISO 800 é sempre uma possibilidade, mas que exige um pós tratamento mais minucioso, ISO 1600 para mim era algo impossível nela, porém, já consegui resultados “que davam para passar”, com um forte pós tratamento em HDR, mas não fica com boa definição não. Aí entrou o outro problema do relaxamento: como na última sessão de astrofotografia consegui resultados minimamente publicáveis, terminei me confiando que ela daria conta mais uma vez de trabalhar bem ali naquele belo cenário, bem mais escuro e estrelado e o resultado não foi nada bom: praticamente nenhuma foto se aproveitou por conta do ruído!

As fotos que “passaram raspando” com o ISO 1600 foram estas:

http://www.astrobin.com/208630/

http://www.astrobin.com/209027/

http://www.astrobin.com/209023/

http://www.astrobin.com/208637/

http://www.astrobin.com/208632/

Bom, aí entrou o cansaço, impaciência de analisar bem a foto naquele pequeno visor e um certo “deslumbre” com um céu tão limpo. Paciência! Aprendi a lição e terei que retornar ao local em uma próxima vez.

Já a máquina do meu pai, uma Nikon D7100, até em ISO 2000, me entrega uma imagem infinitamente mais definida e com menos ruído, ou seja, equipamento faz muita diferença nestes pré-requisitos. Outra coisa: a lente do kit dele, é um 18-135mm, com uma melhor definição, e outra, ela é firma, focou, ela fica firma, e não sambando como a minha 18-55mm.

Vou tentar salvar alguma foto no processamento, porém, não estou com muitas esperanças, caso alguma escape, publicarei aqui futuramente.

Atenciosamente,

Edinaldo

 

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7 comentários em “Foco no infinito e ISO, as vezes é um problema.”

  1. Edinaldo, a lente do kit é realmente bem limitada, mas o problema do foco é de fácil solução. Foque no infinito com o foco automático(Deixe em abertura 4 e estrelas como Sirius e o planeta Júpiter serão visíveis). Após isto, na própria configuração de sua câmera, selecione o foco “Manual”. Veja: não mude a chave seletora da lente! Deixe essa chave em automático. Se você selecionar manual, o foco ficará muito frouxo, grande problema da 18-55 da Nikkor. Mas mudando a seleção diretamente na câmera, o foco ficará travado.
    Com esta lente, você vai ter que escolher entre capturar muita luz e ter uma nitidez razoável, ou ter como foco a nitidez, mas não capturar tanta luz assim.
    Eu prefiro a opção da nitidez. Para isso, deixe a abertura do diafragma entre 7 e 9. Com isto você já soluciona o problema de imprecisão no foco, pois a profundidade de campo aumenta. Entretanto, você perderá luminosidade.
    O ruído pode ser diminuído de algumas formas. Tente fotografar em RAW e editar suas fotos em programas como o Adobe Lightroom. Se você escolher por utilizar altos ganhos(ISO > 1600 para sua câmera), tenha certeza de que muita luz será capturada. O ruído fica muito mais perceptível caso a foto não capture luz o suficiente para ficar “fotometrada” em equilíbrio.
    Se utilizar softwares de empilhamento, como o DeepSkyStacker, não esqueça de tirar os Dark Frames.

    Por fim, algumas dicas para esta lente:
    Evite fotografar com a abertura máxima dela(Ex: f4 para 18mm e f5.6 para 55mm). Embora nesta abertura a captura de luz seja maior, a lente peca em nitidez. Se não me engano, a abertura com maior nitidez desta objetiva varia entre f9 e f11, de acordo com a distância focal. Como se torna inviável fazer astrofotografias com estas aberturas, recomendo utilizar o meio termo, entre 7 e 9.
    Utilize a gama de distâncias focais disponíveis. Perca uns minutinhos para apontar sua câmera ao local certo. Em 18mm, você pode fazer um belo star trail, apontando a câmera para o polo sul Em 55mm, você pode criar uma bela composição com o Cruzeiro do Sul e o saco de carvão, por exemplo. Como você está limitado na captura de luz, aproveite os objetos disponíveis e que muitas vezes são esquecidos! Por que focar no céu inteiro, quando podemos fazer uma bela composição de Escorpião ou Órion em 18mm, por exemplo?
    Esta não é uma regra geral, mas o tempo de exposição não deve ultrapassar muito a equação 1000/distância focal = tempo em segundos
    Ex? Vamos fotografar em 18mm. 1000/18 = 55 segundos.
    Vamos fotografar em 55mm. 1000/55 = 18 segundos.
    Caso você ultrapasse muito este número, o movimento das estrelas ficarão muito aparentes em suas fotos. Você fica limitado em relação a quantidade de luz capturada, é verdade, mas usando as configurações corretas o ganho de qualidade nas suas fotos irá compensar tudo isso.

    Abraços!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá Luiz, obrigado pelas dicas…vão ajudar outros colegas…

      Em relação à dica “Veja: não mude a chave seletora da lente! Deixe essa chave em automático. Se você selecionar manual, o foco ficará muito frouxo, grande problema da 18-55 da Nikkor. Mas mudando a seleção diretamente na câmera, o foco ficará travado.”, eu já tentei, mas como uso o intervalômetro/disparador, ela não dispara, pois como está no automático, ela fica procurando o foco. Eu uso essa técnica para macrofotografia com a lente invertida, aí ela realmente fica presa direitinho.

      “Para isso, deixe a abertura do diafragma entre 7 e 9. Com isto você já soluciona o problema de imprecisão no foco, pois a profundidade de campo aumenta. ” Sim, já faço isso, as vezes fecho até um pouco mais…

      “O ruído pode ser diminuído de algumas formas. Tente fotografar em RAW e editar suas fotos em programas como o Adobe Lightroom. ” Faço em RAW e uso o lightroom já, o danado é que ela dá muito ruído mesmo.

      Abraço!

      Edinaldo

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  2. Muito bacana o post. Eu sofro muito com esse problema de foco ruim no infinito em fotografias de paisagem com a 18-55mm. Péssima nitidez, especialmente para bancos de imagem. Só muita pós produção para deixar o resultado aceitável. Porém, agora vejo que não sou eu que não sei focar. Por um tempo achei que era. Valeu!

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