Qual a relação entre nossos olhos e a visão do cosmo?

Olá,

Somente é possível observamos e registrarmos a beleza do mundo graças aos nossos olhos, porém, apesar de serem “câmeras bem avançadas”, possuímos algumas limitações. Falaremos um pouco sobre o comportamento da nossa visão, e como usar esse conhecimento no momento da astrofotografia.

CONES

Cones são as células capazes de distinguir cores. A imagem fornecida pelos cones é mais nítida e mais rica em detalhes. Há três tipos de cones, cada um especializado na captação de diferentes comprimentos de onda – Longos, médios e curtos, que são mais conhecidos no mundo da fotografia como RGB (Red, Green e Blue), ou seja, um que se excita com luz vermelha, outro com luz verde e o terceiro com luz azul, e a partir destas cores se formam todas as outras. O gráfico abaixo mostra a sensibilidade de cada tipo de cone para todo o espectro de luz visível, com um comprimento de onda entre 380 e os 750 nanômetros (é a subunidade do metro, correspondente a 1×10−9 metro, ou seja, um milionésimo de milímetro ou um bilionésimo do metro. Tem como símbolo nm.

Espectro de Luz Visível
Espectro de Luz Visível

BASTONETES

Os bastonetes não têm poder de resolução visual tão bom quantos os cones, mas são mais sensíveis à luz que eles. Em situações de pouca luminosidade, a visão passa a depender exclusivamente dos bastonetes, por isso é chamada visão noturna ou visão de penumbra, e é tão importante para os astrofotógrafos e astrônomos amadores.

Espectro de Luz Visível
Espectro de Luz Visível

No olho humano existem mais de 100 milhões de bastonetes localizados na região transversal da retina, permitindo fazer uso da chamada visão periférica, muito utilizada por astrônomos para observar objetos de baixa luminosidade. Observe que ao olhar através de um binóculo ou telescópio, se o objeto possui baixa luminosidade, tendemos a utilizar o lado mais periférico do olho (desviamos ligeiramente o olhar do objeto que estamos tentando observar usando a visão lateral, mas mantendo a atenção no objeto), o que geralmente ajuda na visualização, mas porque isto?

Este “artifício” surte efeito, pois o centro do olho é praticamente cego durante a noite, já que existe uma grande concentração de cones, que são pouco sensíveis à luz.

A PUPILA E A ADAPTAÇÃO NOTURNA

Já observou que em atividades de observação noturna ou de astrofotografia, utilizam lanternas com luz vermelha? Já tentaram descobrir qual a razão disto?

Simples: Possuímos uma baixa sensibilidade na faixa vermelha do espectro, conforme gráfico abaixo:

SISTEMA04

Observe pelo gráfico, que o olho humano é mais sensível aos tons verdes e amarelos, do que aos vermelhos. Por esta razão, devemos utilizar luzes vermelhas de intensidade moderada para não interromper o processo de adaptação da visão ao escuro, cujo processo completo leva cerca de 30 minutos, no entanto, com 15 minutos já podemos perceber uma boa melhora na observação em locais escuros, ou seja, ao atingir o valor máximo de sensibilidade devemos utilizar apenas a luz vermelha, com pouca intensidade, pois caso contrário, perdemos todo o processo de adaptação (diminuirá o diâmetro da pupila), e teremos que esperar novamente o aumento da sensibilidade.

SISTEMA05

Entre a córnea e o cristalino, no centro da íris (que desempenha o papel de diafragma), situa-se a pupila, um orifício de diâmetro variável e aparência negra, responsável pela quantidade de luz que passa do exterior para os órgãos sensoriais da retina. Seu diâmetro pode variar ao longo do dia, dependendo das condições de luminosidade do local. Mede entre 3 e 4 milímetros em condições de luminosidade normal, já em locais de muita luminosidade, pode variar entre 1,5 e 2 milímetros de diâmetro, porém, em um local com total ausência de luz, sua dilatação máxima pode chegar até cerca de 7 milímetros, no caso de uma pessoa jovem e saudável, já que com o passar do tempo, e a maior idade, a mesma não deve ultrapassar os 5 milímetros de abertura.

Espectro de luz visível
Espectro de luz visível

Assim como o diafragma de uma câmera, diâmetros reduzidos permitem a capacidade de focar objetos mais distantes, por essa razão tendemos a semicerrar os olhos, com o objetivo de enxergar um objeto mais distante (ou seja, profundidade maior).

Até a próxima,

Edinaldo Oliveira

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