Como fazer startrails (rastro de estrelas)?

Olá,

Neste artigo de hoje vou explicar de forma bem prática como começar a fazer fotografias de rastro de estrelas (ou startrails, em inglês), não sabe do que se trata isso? Veja a foto abaixo:

Fotografia do astrofotografo Miguel Claro, original em: http://www.miguelclaro.com/wp/?portfolio=startrail-church-noudar
Fotografia do astrofotografo Miguel Claro, original em: http://www.miguelclaro.com/wp/?portfolio=startrail-church-noudar

É algo bastante simples, mas que por vezes algumas pessoas possuem dúvidas a respeito (as vezes confundem pensando que foi uma fotografia de chuva de meteoros), no início eu apanhei um pouco para pegar a técnica, de forma que tentarei ser o mais prático possível, para que mesmo você não possuindo conhecimentos intermediários sobre fotografia possa efetuar estes registros, que considero uma boa entrada no mundo da astrofotografia.

ATENÇÃO!! Como não sou fotógrafo profissional, não me prendi aos por menores da fotografia, ora por simplificação do texto, ora por desconhecimento mesmo. Caso tenha alguma crítica, favor colocar nos comentários aqui no final do texto. De qualquer forma deixei alguns vídeos que podem esclarecer melhor determinados assuntos.

Sobre o ambiente:

  • Prefira locais com menor poluição luminosa;
  • Evite fazer rastros em noite de lua cheia (de preferência sem a lua), a não ser, claro, que a intenção seja fazer o rastro da própria lua;
  • Capriche na composição: composição é praticamente 50% do seu trabalho, portanto, use a criatividade;
  • Evite áreas com postes ou refletores por perto, tente controlar o máximo a luz;
  • Procure locais que não ventem tanto, o vento vai atrapalhar a foto.

Sobre os equipamentos:

  • Tenha um tripé ou local para apoiar a câmera;
  • Possua uma câmera que permita ajustar tempo de exposição (e ISO ao mesmo tempo, de preferência);
  • Que aceite um intervalômetro ou disparador (mas aí você terá que ficar lá clicando as fotos).

A preferência seria possuir câmeras DSLR (com lentes que possam ser trocadas), no entanto, é totalmente possível conseguir bons resultados com câmeras do tipo “super zoom” ou ainda, uma opção bem mais em conta: câmeras Canon, compactas, com o firmware alterado.

Sobre a alteração de firmware das câmeras Canon, pesquise sobre o termo CHDK Canon, veja um exemplo: http://meiobit.com/16619/chdk-turbinando-suas-cameras-canon/

Mas afinal, porque ocorre esse efeito de “rastro” nas estrelas? A grosso modo, devido à rotação da terra. Se acumularmos várias fotos, iremos perceber mais claramente o efeito da “movimentação” (somente aparente) do céu (quem está se movendo somos nós na verdade, já que o movimento das estrelas é desprezível quando comparamos com o da terra), perceba mais facilmente o movimento neste time lapse abaixo:

Assim, o efeito do “céu riscado” nada mais é do que uma fotografia deste intervalo de tempo suficiente para haver movimentação perceptível no céu, como se fosse o time lapse acima, só que com fotos acumuladas (ou em longo intervalo de tempo), daí poderemos perceber melhor o efeito de rotação da terra, conforme a ilustração abaixo:

Efeito de rotação da terra e arrasto de estrelas
Efeito de rotação da terra e arrasto de estrelas

A palavra chave para o efeito é EXPOSIÇÃO. De forma direta, quanto mais tempo o obturador ficar aberto captando luz, maior será o efeito do arrasto, seria como tirar uma foto borrada, é o que chamamos “TEMPO DE EXPOSIÇÃO DA FOTO”, por isso é bem comum ver a pergunta: “quanto tempo de exposição teve essa foto?”.

Para entender melhor o assunto, recomendo a leitura deste artigo: http://fotografiadicas.com.br/obturador-na-camera-fotografica/

Existem outros fatores que influenciam na exposição da foto, os principais, para o nosso caso, seria a abertura e a sensibilidade ISO. A velocidade de disparo apenas controla o quão longos serão os rastos das estrelas. Os parâmetros podem mudar de acordo com o tipo de câmara, assim, tente ir ajustando e verificando se a imagem não fica clara demais ou escura demais.

Mesmo em exposições mais curtas, o movimento das estrelas é perceptível
Mesmo em exposições mais curtas, o movimento das estrelas é perceptível

Um dos erros mais comuns em fotografia de rastos de estrelas é estes serem curtos demais. Procure sempre um bom senso, pois também o céu totalmente riscado pode se tornar um resultado não tão esteticamente agradável.

Então, de forma prática, após posicionar a câmera, formar a composição, bastaria clicar para o obturador abrir, voltar 1 ou 2 horas depois e dar outro clique para fechar? Teoricamente sim (desconsiderando aqui possíveis problemas de fotos superexpostas, subexpostas, etc.)

Mas vejo dois problemas que me incomodam:

  1. Quando abrimos o obturador (damos o primeiro clique), quanto mais tempo tiver a foto, maior o tempo em que o obturador fica aberto captando luz, maior será o aquecimento do conjunto da câmera (ao final de 1h fotografando direto, pode perceber que a câmera estará quente). Isto gera o segundo problema: Ruído na fotografia;
  2. Em fotografia noturna, especialmente em longas exposições, o ruído digital é o inimigo número 1 do fotógrafo. Mas o que é o ruído? Ruído apresenta-se como granulações na fotografia, podendo alguns desses grãos possuir várias cores.
Tipos de ruído em fotografia.
Tipos de ruído em fotografia.

Para entender melhor sobre como ocorre o ruído na fotografia, recomendo a leitura do artigo: http://www.fotografarvenderviajar.com/aprendendo/entendedo-ruido-em-fotografia-digital

Então, como minimizar este tipo de problema tão prejudicial para as fotografias noturnas, e em especial para as de longa exposição? Eu tento contornar o problema efetuando vários registros fotográficos e depois acumulando as fotos via software. É bem simples: digamos que eu tire 10 fotos com duração de 1 minuto cada, após isto, utilizo o software StarStax para unir as 10 fotos e me gerar uma imagem equivalente a 10 minutos de exposição (só que não deixei minha câmera lá trabalhando 10 minutos direto de fato). Como o obturador ficará aberto menos tempo por foto, o nível de ruído diminui consideravelmente.

Existe outro excelente aplicativo para empilhamento e gerar vídeo, é o StarTrails, particularmente prefiro utilizar o Starstax, acho ele mais amigável e estável, no entanto, para gerar time lapses o StarTrails executa bem a função.

Resumindo, temos três técnicas:

  • Única exposição: marque a sua câmera no modo Bulb (ou semelhante, onde um clique abre o obturador, que só fechará após outro clique). A vantagem é que não será necessário o processo de empilhamento via software, a desvantagem será o alto ruído da foto e aquecimento excessivo. Lembre ainda, se marcar a função de redução de ruído, terá que aguardar o mesmo tempo da fotografia, o que pode atrapalhar seu cronograma.
  • Várias exposições curtas: gerar diversas fotografias de 30 segundos. A vantagem é que teremos menos ruído, no entanto, vamos gastar o número de clicks da máquina. A principal desvantagem é o trabalho de empilhamento via software, e dependendo do tempo total, teremos que lidar com muitos arquivos (uma vez já empilhei quase 2.000 fotos, e demora um pouco realmente).
  • Várias exposições longas: semelhante ao método anterior, só que com fotos acima de 1 minuto a 5 minutos geralmente, teremos um aumento de ruído nas fotos, no entanto, vamos gerar bem menos arquivos para o pós processamento.

Geralmente opto mais pelo segundo método (Várias exposições curtas), mas isso é algo muito particular.

Após escolher a composição e o método, vamos para a parte prática:

  1. Monte a câmera no tripé e coloque o equipamento em um local firme;
  2. Conecte o cabo disparador ou intervalômetro na câmera: importante lembrar que não podemos clicar na máquina com o dedo, pois iremos balançar o equipamento, assim é de suma importância que a máquina possua um recurso para disparar automaticamente a máquina, ou tenha um disparador ou tenha um intervalômetro;
  3. Consiga focar a câmera no infinito (lembre-se, você vai fotografar algo muito distante). Algumas lentes possuem o recurso para setar no infinito, em outras você terá que fazer isto manualmente. Essa etapa é de fundamental importância, para que suas fotografias não saiam com as estrelas desfocadas (veja vídeo abaixo explicando melhor o conceito);
  4. Faça uma previsão do tempo total e inicie os disparos, quando concluir iremos para a etapa de empilhamento (se você optou por utilizar o segundo ou terceiro método).

Entenda mais sobre o intervalômetro:

Entenda mais sobre profundidade de campo (e foco no infinito):

Após isto, basta abrir o Starstax, selecionar as fotos (da primeira até a última) e efetuar o empilhamento.

Veja um resumo:

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Veja aqui o mesmo procedimento demonstrado em vídeo:

Por último, deixo uma vídeo aula da Escola Pública de Fotografia, que complementa muito bem os conceitos aqui abordados:

Até a próxima,

Edinaldo Oliveira

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